110V - padrão de tensão ou mito popular?
As tensões domiciliares monofásicas, quando não  são de 220V é geralmente de 127V e não 110V como supõem a maioria dos consumidores. Consultamos as concessionárias e em nenhuma delas encontramos a tensão de 110V. Tinham em 220V ou 127V, com exceção da Eletropaulo que além de 127V, existem ainda redes em 115V e 120V em fase de extinção.
 
A tensão de 220V é obtida do transformador trifásico de 380V, através da ligação fase-neutro, conforme a equação:  
Tensão ÷ 1.73 (raiz de 3). Então: 380(trifásica)÷1.73=220V (monofásica).  
O mesmo ocorre com 127V.  
Ela é obtida através de 220V: 220V(trifásica)÷1.73=127V(monofásica).  
Desde 1986 o governo tomou uma série de medidas visando padronizar as tensões da energia elétrica, padronizando os sistemas para 60 HZ e proibindo ampliações por parte das concessionárias de redes secundárias de 110,115 e 120 volts.  
O DNAEE deu um prazo que terminou em Dezembro de 1999 para que as concessionárias substituam as redes despadronizadas como 110V, 115V e 120V, mas ainda restam algumas áreas servidas por estas tensões despadronizadas.  As áreas abrangidas por estas últimas tensões estão se tornando raras, concentradas na área da antiga Eletropaulo, mas elas estão sendo substituidas para o sistema padrão de 127V ou 220V. 

Conceito popular.

Perguntamos a um lojista por que ele ainda insistia em comprar produtos para 110V, e ele nos disse que acreditava que a tensão da sua cidade era de 110V, porque era o que sempre ouviu do povo. Seu conceito técnico era baseado portanto não em normas técnicas, mas no que dizia o povo. Entrando em contato com o departamento técnico da concessionária, ele recebeu espantado a declaração de que nunca existiu  redes de 110V em toda sua área de concessão.
Um site de Brasilia, devido à sua ignorância técnica de seus organizadores, chega a atacar esta página como um artigo inútil, pois eles também não acreditam que as maiorias das cidades tenham 127V ao invés de 110V.

É importante não confundir padrão de tensão com variação de tensão de rede ou deficiência de rede.

O governo através da fiscalização, vem coibindo  gradativamente as vendas de aparelhos eletro-eletrônicos com entrada de 110V.
Hoje não se encontra mais geladeiras, Freezer, lâmpadas e outros artigos para 110V. Se sua geladeira é nova, veja a etiqueta atrás da mesma.
As consequências em usar aparelhos de 110V em uma rede de 127V:
Exemplo:
Um aquecedor de 1.000W - 110V.
Segundo a lei de Ohm, este aparelho consome 1.000W em 110V por possuir uma resistência interna dinâmica de 12,1 Ohm conforme a fórmula:
V2 / W=R
sendo que:       ( V2=tensão ao quadrado )   ( W = Potência consumida )  ( R= Resistência em Ohm )
110 x 110=12.100  -  12.100 / 1.000W=12,1R
Ligando um aparelho de 12,1R em 127V este mesmo aparelho irá consumir:
127 x 127V=16.129    16.129 / 12,1R= 1.339W, correspondendo a uma sobrecarga de 33,9%, tendo a sua vida útil consideravelmente reduzida e sua conta de luz no final do mes aumentada.
Pior situação ocorre quando aparelhos de uso interno do Japão são trazidas pelos trabalhadores temporários do Brasil. Lá o padrão da rede é de 100V e um aparelho de 1.000W e 100V tem as seguintes características:
V2 / W= 100 x 100V=10.000        10.000 / 1000W= 10R
Usando este aparelho nas redes de 110V o desempenho será de:
V2 / W=127x127V=16129 / 10R= 1.612 Watts de consumo, correspondendo a 61% de sobrecarga.

Em 1989 as tensões estavam distribuidas em 52% para 127V, 30% em 220V e o restante, 18% em tensões não padronizadas de 110V, 120V e 115V. Atualmente o percentual de tensões não padronizadas decaiu, mas ainda não acabou, conforme prevê a lei.

Indústrias:
O fabricante dos equipamentos KELETRON /
FONTAT, desde 1990 não mais fabrica produtos para 110V, atendendo as normas técnicas.
Chamamos a atenção dos fabricantes de chaves seletoras de tensão para que mudem as inscrições de 110 / 220V para 127 / 220V.

Importadores:
Muitos importadores especificam erradamente em seus pedidos produtos para 110V. Ao serem usados no Brasil, esses produtos passam a queimar rápidamente e os consumidores culpam os fabricante de terem produtos de má qualidade.
Houve um famoso episódio de importação de um gigantesco lote de lâmpadas fluorescentes compactas de 110V. Além das mesmas queimarem em questão de horas, queimaram no mesmo instante o conceito do fabricante, importador e lojistas que comercializavam tais produtos.  O Procon agiu rápidamente, pedindo à fiscalização o imediato recolhimento dessas lâmpadas. Quem foi o responsável? O importador que especificou erradamente o produto. O govêrno teve que adotar medidas para que tais lâmpadas de 110 ou 120V não entrem mais no Brasil. Tal episódio ficou conhecido como "Lâmpadas chinesas amarelas" (Amarelas devido à embalagem das mesmas e não à cor de sua luz)

Lojistas:
É necessário adequar seus produtos às normas em vigor, evitando fornecer aos seus clientes produtos de 110V,.

Consumidores:
Comprar aparelhos para serem danificados em pouco tempo além de consumir 33% a mais de energia não constitue um bom negócio.

Solicite também à concessionária da sua cidade uma declaração da tensão da rede fornecida à sua residência ou loja. Este é um documento que todas as concessionárias de energia elétrica estão obrigadas por lei a entregar quando solicitado pelo consumidor. Use-a para convencer seus clientes e fornecedores. Agradeceríamos o envio de uma cópia e conte-nos a respeito de suas experiências sobre este assunto 
  
Declarações de autoridades e concessionárias de energia elétrica e da imprensa sobre "110V"
Declaração da Eletrobrás
Declaração da Light Rio
Declaração da Companhia Vale do Paranapanema
 Declaração da Companhia Elétrica Cai
Ação cível contra fabricantes de lâmpadas

Declaração da Companhia Paulista de Força e Luz CPFL
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